Bónus para hospitais que reduzam mortes por infeção hospitalar

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O governo anunciou a implementação de bónus para os hospitais que consigam reduzir o número de infeções hospitalares, provocadas em doentes já depois de serem admitidos. A notícia surgiu durante uma apresentação da Direção-Geral de Saúde, onde foi sublinhado que, em média, falecem 12 pessoas por dia nos hospitais, vítimas de infeções desenvolvidas já no próprio hospital. O secretário de Estado da Saúde, Fernando Araújo, apontou ainda que este número é “7 vezes superior” ao de vítimas de acidentes de viação. Os incentivos serão de natureza financeira.

Um problema recorrente

A questão das infeções hospitalares não é nova. Já em 2006, o ministro da Saúde Correia de Campos, da administração Sócrates, havia apontado os números excessivos e recomendado aos médicos a lavagem de mãos mais frequente e o não uso de gravatas. Em 2013, o secretário Leal da Costa (administração Passos Coelho) voltou ao tempo, recomendando, além da lavagem de mãos, a troca de batas entre as idas ao refeitório e as consultas, a não utilização de “anéis, pulseiras e alianças”, além das gravatas, e também o facto de o estetoscópio ser sempre transportado, mesmo sem ser necessário. Em ambas as situações, a classe médica reagiu exigindo mais meios técnicos e financeiros para o Sistema Nacional de Saúde.

Resistência aos antibióticos

As infeções hospitalares não têm unicamente a ver com eventuais problemas de higiene, mas também com a crescente capacidade dos agentes patogénicos de resistir aos antibióticos. Em Outubro de 2015, o hospital de Gaia anunciou um surto da batéria multirresistente Klebsiella pneumoniae, tendo sido detetado em 102 doentes e tendo causado 3 mortes. O fenómeno é relativamente recente, com o primeiro caso em Portugal a ser detetado em 2008. Em todo o caso, e em termos de comparação ao nível da União Europeia, Portugal encontra-se a meio da tabela no que toca à gestão deste fenómeno.