Casos de abuso sexual infantil disparam em Portugal

-30945O número de casos de abuso sexual contra crianças em Portugal aumentou em 2015. O Correio da Manhã noticiou que as autoridades policiais reportaram 1456 casos, o que representou um aumento de 95 em relação a 2014 e de 25% desde 2011. A grande maioria das vítimas (mais de 1000) tinha entre os 8 e os 13 anos, enquanto os restantes tinham apenas entre 4 a 7 anos. A estatística não inclui o abuso sexual de adolescentes, sejam menores dependentes ou outros, considerados como tal a partir dos 14 anos. O diário noticiou ainda um aumento de 10% no número de casos de violação.

Em ambos os cenários (abuso infantil e violação), a maioria dos crimes são cometidos por familiares ou pessoas próximas da vítima. Assim, e ao contrário do que é ainda a visão dominante na opinião pública, a ameaça estatisticamente mais significativa não provém de desconhecidos ou “stalkers”, mas de pessoas que se aproveitam da proximidade física e emocional das vítimas, muitas vezes repetindo os crimes ao longo de anos, deixando marcas psicológicas nas vítimas para o resto das suas vidas.

Aumento de casos ou de denúncias?

O artigo do Correio da Manhã apresenta apenas os números apresentados pelas autoridades, daí inferindo um aumento no número de casos. Contudo, o aumento do número pode na verdade ser uma notícias positiva, e não negativa; sucessivas campanhas de sensibilização e consciencialização pela denúncia e contra a resignação poderão estar a contribuir para que as vítimas sintam mais força para denunciar e os familiares estejam mais alerta e atentos contra comportamentos suspeitos de outros familiares, em lugar de simplesmente afastarem uma eventual queixa da criança.

O facto de a grande maioria dos crimes ser cometida por familiares próximos (tendência em linha com os dados de anos anteriores sobre este fenómeno) reforça esta possibilidade. As denúncias contra desconhecidos são mais fáceis de concretizar do que contra um familiar, existindo neste caso a incredulidade dos outros familiares ou mesmo a vergonha e o encobrimento deliberado de uma situação.