Estudo da OMS aponta “assustadora” falta de autonomia dos adolescentes portugueses

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Um estudo da OMS revela que os adolescentes portugueses são entre os menos autónomos dos países da OCDE. Os resultados apontam que os jovens portugueses entre os 13 e os 15 são os que menos estão com amigos depois das 20h00. O estudo revela também que os nossos adolescentes são os que se encontram financeira e emocionalmente mais dependentes dos pais, até uma idade mais tardia, e que têm mais dificuldade na criação de laços fortes fora do núcleo familiar. Os jovens são também dos que se encontram mais insatisfeitos com a escola e também com a vida em geral, o que poderá estar relacionado com as consequências da recessão económica. O estudo “Health Behaviour in School-aged Children” é realizado de 4 em 4 anos, tendo Portugal participado pela primeira vez em 1998.

A falta de autonomia revela-se em determinados comportamentos que são positivos, mas que escondem uma outra realidade. Os nossos jovens encontram-se os que mais tomam o pequeno-almoço, o que se revela saudável. O consumo de tabaco e de álcool tem diminuído e está abaixo da média verificada em outros países. Contudo, tal estará relacionado não só com as restrições financeiras das famílias mas também com novos hábitos de consumo: os adolescentes passam mais tempo ligados à internet e são mais sedentários, permanecendo mais tempo em casa. A atividade física e o associativismo seguem o mesmo caminho.

Superproteção?

Sem que nada o fizesse prever, e sem que as estatísticas de crimes, raptos ou desaparecimentos sejam significativamente mais graves que as de outros países, as crianças e adolescentes em Portugal remeteram-se às suas casas. A omnipresença de consolas de videojogos e da internet é um estímulo, mas o certo é que os pais portugueses não incentivam os filhos a sairem para a rua ou a ter o seu próprio espaço físico e mental fora da sua “asa”. Praticamente deixaram de se ver crianças a brincar nas ruas, bem como grupos de adolescentes a passear. O resultado, como outras reportagens têm mostrado, é um aumento do número de adolescentes com dificuldade até para circular na rua.