Moeda rara encontrada em nau afundada de Vasco da Gama

nau1Uma equipa de exploradores e arqueólogos declarou ter encontrado o navio português Esmeralda, afundado em 1503 ao largo da costa de Omã, no mar da Arábia. A empresa britânica Blue Water Recoveries, em parecia com o governo de Omã, anunciou em Março deste ano a conclusão de uma série de pesquisas junto à ilha de al-Hallaniyah, onde o navio terá permanecido. A nau Esmeralda foi uma das duas que se perderam durante a segunda viagem de Vasco da Gama à Índia, sendo a outra a S. Pedro. As naus eram capitaneadas, respetivamente, por Vicente e Brás Sodré, irmãos e tios de Vasco da Gama.

David Mearns, o responsável da Blue Water Recoveries, declarou que, entre os achados previsíveis (cerâmica, pedras usadas como projéteis de canhão, etc.), estava um Índio, uma moeda muito rara, sendo apenas a segunda a ser descoberta até hoje. Trata-se de moedas cunhadas durante a primeira viagem de Gama à Índia. O Ministério do Património e da Cultura do governo de Omã, através do responsável Ayoub al-Busaidi (supervisor de arqueologia marítima), corroborou o anúncio da descoberta e desejou que novos achados venham a ser feitos.

Será mesmo a Esmeralda? Ceticismo em Portugal

Contudo, alguns especialistas portugueses mostraram-se céticos em relação à notícia e críticos em relação à abordagem adotada. Filipe Castro (arqueólogo subaquático) e Jorge Semedo Matos (historiador), em declarações à Agência Lusa, apontaram a prolongada duração do projeto, ao longo de vários anos, associada ao secretismo em torno da operação e ao facto de David Mearns ter a reputação de um caçador de tesouros. Os investigadores portugueses sublinharam a falta de qualidade do artigo em relação à importância da descoberta, bem como as dúvidas que se podem colocar sobre o local onde o navio foi encontrado, pondo em causa que se trate efetivamente da Esmeralda, uma vez que o mar da Arábia viu circular uma navegação ativa durante o século XVI, com navios árabes transportando artigos portugueses.