Portugal “de pé atrás” em relação ao acordo entre a União Europeia e o Reino Unido

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O “Brexit” está em cima da mesa. Após anos de ambiguidade, o Reino Unido vai a votos em 2016 para decidir se sai ou permanece na União Europeia. A decisão terá consequências de grande alcance a nível internacional, mas antes de mais para quem vive no Reino Unido. Os primeiros a ser atingidos poderão ser os cidadãos europeus que aí trabalham. É o caso dos milhares de portugueses, nomeadamente nas áreas da enfermagem e do ensino, mas também da construção civil, que escolheram o país de Sua Majestade para emigrar.

Numa entrevista à BBC, a enfermeira Joana Pedro afirma recear os cortes na proteção social que recebe atualmente. Joana não considera justo que tal se venha a verificar, tendo em conta que contribui com o seu trabalho e os seus impostos para a economia britânica, e pondera o regresso a Portugal se tal acontecer. Por outro lado, falando com estudantes, o jornalista descobriu que aquilo que os motiva a procurar o Reino Unido é a facilidade da língua, o dinamismo do mercado de trabalho e o estilo de vida mais urbano e individualista.

Neste sentido, o jornalista da BBC constatou igualmente, depois de falar com várias pessoas em Portugal, que ninguém apresenta “os subsídios” como motivo principal para emigrar para o Reino Unido, ao contrário da opinião corrente entre os eleitores e contribuintes britânicos relativamente à presença de imigrantes.

Na “ressaca” do programa de austeridade financeira imposto pelo FMI e pela “Troika”, o novo governo do PS liderado por António Costa mostrou-se contra a saída do Reino Unido da União Europeia, e integrou as negociações que outros países europeus tiveram com David Cameron, que exigiu concessões de Bruxelas em troca de fazer campanha pelo “sim” à permanência britânica na União. Contudo, apesar da opinião de Joana Pedro, não é claro que, mesmo que o “Brexit” se concretize, os portugueses deixem de considerar o Reino Unido como a nova opção prioritária para a emigração, depois do Brasil, Estados Unidos, França e Alemanha em décadas e séculos anteriores. O referendo britânico terá lugar a 23 de Junho.