Portugal ‘perde’ 60% da água para consumo humano

logo_quercusA organização ambientalista Quercus faz a denúncia: em Portugal, 60% da água destinada ao consumo humano é desperdiçada, principalmente pela degradação dos sistemas de canalização. O valor faz parte de um relatório apresentado pela organização à imprensa, em Março, e que sublinha outras situações graves na gestão dos recursos hídricos portugueses.

A Quercus salientou, nomeadamente, que a agricultura perdeu 42% da água que lhe foi destinada, a indústria perdeu 29%, e que a poluição e a exploração continuam a ser ameaças graves: 50% das zonas húmidas estão em perigo devido à utilização em excesso de águas subterrâneas, enquanto 20% das águas de superfície estão expostas à poluição.

A organização de proteção do ambiente lança um especial alerta aos municípios, uma vez que grande parte dos efluentes urbanos são lançados directamente em rios e ribeiras, prolongando situações de poluição. Além disso, os sistemas de saneamento público também não chegam ainda a todas as casas, o que prolonga igualmente a utilização de fossas individuais.

Abastecimento público com nota positiva

Por outro lado, a Quercus avalia positivamente o sistema de abastecimento público de água, que já terá atingido mais de 95% da população. Contudo, os ambientalistas apelam a uma maior fiscalização de captações ilegais ou clandestinas, nomeadamente com o recurso a furos subterrâneos, uma vez que apenas a adesão à rede pública é de apenas 85%.

Em todo o caso, o facto de mais de metade da água para consumo humano se perder deveria ser considerado como um investimento prioritário, quer pelos municípios, quer pelo Governo. Muita vezes tratam-se de infraestruturas com várias décadas, sujeitas ao desgaste natural do tempo e cuja intervenção e reparação não é fácil nem imediata. Contudo, dados os riscos que as alterações climáticas podem trazer ao longo das próximas décadas, manter um sistema de distribuição de água sem falhas deveria ser considerado como uma prioridade estratégica de longo prazo.