Um grande passo na História: 30º aniversário da adesão de Portugal e Espanha à União Europeia

EUUN0001

Portugal e Espanha assinalaram em Janeiro deste ano o 30º aniversário da sua adesão à então Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia. A ocasião foi assinalada numa sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, tendo o seu presidente, Martin Schulz, saudado o facto de de dois países que viveram durante muito tempo em regimes de natureza ditatorial terem conseguido efetuar rapidamente a transição para a democracia e estarem em condições de se juntarem ao projeto europeu. O acesso dos países ibéricos à CEE foi confirmado, respetivamente, pelos primeiros-ministros Mário Sores e Felipe González.

União Europeia: sinónimo de crise?

Hoje, o projeto europeu enfrenta numerosos desafios. Entre as críticas que surgem de diversos quadrantes, desde o facto de ser construída em função dos bancos e do grande capital, e de ser governada pela Alemanha (críticas à esquerda), de servir para dar subsídios à Europa do Sul (direita alemã), de ser imperialista (eurocéticos britânicos), de não ser suficientemente forte (uma famosa frase de Henry Kissinger, que não sabia “a quem telefonar” na Europa), demasiado permissiva ou intolerante e xenófoba com os refugiados, consoante o quadrante também.

Uma delas será talvez a mais acertada: a União não conseguiu decidir se iria avançar para um modelo de estilo confederal ou federal, e o seu crescimento não foi acompanhado do surgimento de uma verdadeira voz central que refletisse um interesse supranacional. Ao invés, os 28 Estados refletem 28 interesses nacionais, ao estilo do século XX.

Contudo, os desafios que estiveram na sua base mantêm-se. Problemas como o controlo de fronteiras, as alterações climáticas, o terrorismo, a poluição, a Rússia enquanto adversário geopolítico ou a corrupção do sistema financeiro (patente no escândalo dos Papéis do Panamá), entre outros, são problemas que, pela sua própria natureza, não conhecem fronteiras. Na era da aviação low-cost e da internet de banda larga, parece ingénuo pensar que os países europeus conseguirão resolver melhor os seus problemas se se mantiverem isolados.